O que é o PEI?
PEI - Programa de Enriquecimento Instrumental desenvolvido por Reuven Feuerstein, Educador, radicado em Israel, fundador e diretor do ICELP International Center for the Enhancement of Learning Potential. É uma proposta onde mediador e aprendizes constroem o conhecimento a partir de exercícios disparadores utilizados para promover o desenvolvimento e o interesse para aprender, modificar as estruturas cognitivas, ampliar o potencial de aprendizagem, aumentar a eficiência mental e melhorar a qualidade do desempenho intelectual.
Influência do mercado de trabalho na educação de trabalhadores: um desafio permanente para os educadores
Novas necessidades
Nos últimos dezoito anos, a sociedade de modo geral e o mercado de trabalho, em particular, têm-se manifestado objetivamente sobre a necessidade de alteração do perfil de desempenho dos trabalhadores. Com muita freqüência, jornais apresentam artigos sobre esse assunto, chamando a atenção para a necessidade de se aperfeiçoar a ação das escolas, bem como a de seus professores, a fim de garantir uma preparação mais adequada dos estudantes, futuros trabalhadores. No dia quinze de dezembro de 1999, como se estivesse fazendo uma síntese dessa tendência, o Jornal da Tarde coloca, em sua primeira página, a manchete A escola brasileira não ensina a pensar, a partir de análise dos resultados da aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
Algumas opiniões sobre essas novas exigências
Dieter Mertens, em sua tese Educação para uma Sociedade Moderna, chama essas novas demandas de qualificações-chave e as define como:
Conhecimentos, capacidades, habilidades e atitudes que não estão diretamente relacionados com nenhuma atividade prática em particular, mas que permitem assumir um conjunto de responsabilidades e lidar adequadamente com novas exigências - em sua maioria imprevisíveis - que ocorrem durante a vida de uma pessoa.
A visão de Lúcia Bruno sobre o tema é a seguinte:
Hoje, o que interessa às empresas é sobretudo, a capacidade de pensar dos trabalhadores, de operar em grupo, de propor soluções, de interagir com diferentes perfis qualificacionais, de aprender e assimilar continuamente as novas técnicas e os novos códigos disciplinares, tendo em vista as exigências crescentes de aumento de produtividade. Aos trabalhadores que conseguem se sujeitar a essas novas exigências é dado o nome de ‘trabalhador cidadão’.
Responsável pelo Caderno Empregos do jornal O Estado de São Paulo, Marisa Torres cita alguns dos requisitos fundamentais exigidos dos trabalhadores, nos dias atuais:
[...] inglês fluente, inclusive para estagiários, bom nível de conhecimento técnico, disposição para estar sempre aprendendo mais e se aprimorando, capacidade de lidar com situações novas e, acima de tudo, flexibilidade e espírito de cooperação para trabalhar em equipe e se relacionar com vários tipos de pessoas.
Tendo como base dois relatórios publicados pela ONU, o Relatório do Desenvolvimento Humano (Pnud) e o Relatório Mundial de Emprego (OIT), José Pastore assim se manifesta sobre o tema:
A globalização, a revolução tecnológica e os novos modos de trabalhar tornam os seres humanos rapidamente obsoletos quando são mal preparados. Não há outra saída: os países que desejam desfrutar dos benefícios da modernização têm de equipar seus povos com conhecimentos de alta qualidade. É isso que permite absorver inovações e criar outras. A alfabetização digital é essencial. A capacidade de comunicar-se adequadamente é indispensável. A maleabilidade para trabalhar em grupo é fundamental.
Vitor da Fonseca declara não ser mais possível separar economia e educação, uma vez que o que está em jogo é o enriquecimento cognitivo dos trabalhadores. Ele pergunta, por exemplo:
Por que se tornará importante investir na educabilidade cognitiva dos trabalhadores? Quais as aquisições cognitivas básicas dos operários para responderem às novas situações dos seus empregos? Serão importantes os programas cognitivos para satisfazer aos novos desafios da economia global? Os operários adultos com baixo rendimento cognitivo ou dificuldades de aprendizagem estarão irremediavelmente condenados? Como podem ser integrados em novos processos de produção? Qual a solução? Dispensar ou redesenvolver as suas capacidades cognitivas? Como preparar os trabalhadores para uma permanente e perpétua mudança?
Dentre os diversos programas de desenvolvimento cognitivo existentes, Vitor da Fonseca indica o Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) de Feuerstein como uma das respostas mais adequadas para preparar estudantes, futuros trabalhadores, com ou sem dificuldades de aprendizagem, bem como para adultos iletrados, por sua acessibilidade e aplicabilidade a qualquer sistema de ensino ou formação.
Avaliando teorias do processamento de informações sobre a natureza da inteligência humana, Robert Sternberg assim se manifesta sobre o valor prático da proposta de Feuerstein:
Algumas teorias provaram ser muito úteis para finalidades práticas, tais como diagnóstico, prognóstico e treinamento. As teorias de Feuerstein sobre a experiência de aprendizagem mediada (a experiência da criança mediada pela mãe, por exemplo) e de funções cognitivas deficientes; [...], provaram ser muito úteis tanto na avaliação quanto no treinamento das funções intelectuais.
Isabel Alarcão diz:
São hoje muitas as competências desejadas, que assentam num conjunto de capacidades. Valoriza-se a curiosidade intelectual, a capacidade de utilizar e recriar o conhecimento, de questionar e indagar, de ter um pensamento próprio, de desenvolver mecanismos de auto-aprendizagem. Mas também a capacidade de gerir a sua vida individual e em grupo, de se adaptar sem deixar de ter a sua própria identidade, de se sentir responsável pelo seu desenvolvimento constante, de lidar com situações que fujam à rotina, de decidir e assumir responsabilidades, de resolver problemas, de trabalhar em colaboração, de aceitar os outros. Deseja-se ainda dos cidadãos que tenham horizontes temporais e geográficos alargados não se limitando a ver seu pequeno mundo, que tenham dos acontecimentos uma compreensão sistémica, que sejam capazes de comunicar e interagir, e que desenvolvam a capacidade de auto-conhecimento e auto-estima.
Finalmente, o diálogo entre a professora Hermengarda e Calvin (Watterson) trata, com humor, do tema em sala de aula.

Considerações finais
As principais carências do trabalhador dentro desse quadro que se desenha, segundo pesquisas, dizem respeito: ao aumento de escolaridade; ao desempenho de certas qualidades pessoais; à busca autônoma de conhecimentos técnicos mais atualizados; a utilização da informática como ferramenta de trabalho; à necessidade de preservação do meio ambiente; e, ao domínio de outros idiomas. É importante ressaltar que todas essas carências estão subordinadas a uma outra, também identificada em pesquisas: um funcionamento cognitivo adequado.