Rauven Feuerstein
Quem é Reuven Feuerstein?
As informações que seguem foram coletadas em textos de Claudine Longhi, Lorenzo Tebar, Sílvia Zanatta da Ros e ICELP.
Reuven Feuerstein nasceu em 21 de agosto de 1921, na cidade de Botosan, um pequeno povoado da Romênia. Era o quinto entre nove irmãos de uma família judia. Seu pai era especialista em estudos hebraicos, chefe de culto e rabino. Seu avô paterno era um homem muito eclético: destacava-se como encadernador, pintor e músico. Seu avô materno escrevia pergaminhos da Torá. Em sua casa, aconteciam encontros familiares semanais planejados por sua mãe, nos quais ele e seus irmãos, sentados à mesa da cozinha, contavam uns aos outros, o que haviam lido, estudado e aprendido desde o último encontro.
Reuven aprendeu a ler os textos sagrados aos três anos. Aos sete anos, aprendeu o iidiche, sua língua materna. Era comum ajudar colegas com dificuldade de leitura e escrita. Nessa época, ensinou um jovem de quinze anos a ler. Aos nove anos, ensinou um homem de sessenta anos a ler os textos sagrados. É importante registrar que, durante sua infância, sua mãe recebia crianças órfãs em sua casa.
Em Bucareste, aos 17 anos, iniciou uma experiência educacional relevante: encarregou-se de organizar a Alyah dos Jovens, uma organização sionista, cuja meta era concretizar as idéias dessa instituição para a construção de Israel. Dos 19 aos 23 anos, estudou no Colégio de Professores dessa cidade e, nos dois anos seguintes, no Colégio Onesco. Ainda nesse período, foi vice-diretor e professor de Escola para crianças com dificuldades de aprendizagem e problemas graves de desenvolvimento.
Em abril de 1944, emigrou para Israel e casou-se com Bertha Gugenheim com quem teve quatro filhos. Feuerstein esperava dar continuidade a seu trabalho educacional de salvação. Mais tarde, Feuerstein foi convidado a lecionar na Escola Agrícola de Mikvet-Israel, perto de Tel Aviv, onde teve contato com aproximadamente 300 crianças, vítimas do Holocausto. A carreira educacional de Reuven continuou em 1948 no Kibutz de Rehasmin, uma instituição para crianças com dificuldades de adaptação.
Em fevereiro de 1949, é acometido por febre alta e princípio de tuberculose. No hospital, não parou de estudar: aprendeu, em pouco mais de seis meses, inglês, francês e alemão. Em 1950, retomou seus estudos em Genebra e trabalhou, simultaneamente, com Jung em Zurique e com Carl Jaspers na Basiléia. Um ano depois, vai ao Magreb africano com André Rey para estudar um grupo de crianças. A partir dessa oportunidade e durante muitos anos, realizou a avaliação de milhares de crianças que iriam emigrar para Israel, com André Rey e um grupo de psicólogos ligados a Piaget.
Estudou na Universidade de Genebra, sob a coordenação de Jean Piaget, Barber Inhelder e Marguerite Loosli Usteri. Assistiu a seminários de L. Szondi e Carl Jaspers. Recebeu o diploma de Psicologia Geral e Clínica em 1952. Em 1954, licenciou-se em Psicologia. Em 1970, Feuerstein obteve o grau de doutor em Psicologia do Desenvolvimento na Universidade de Sorbonne, em Paris.
De 1970 até os dias atuais, Feuerstein é professor de Psicologia da Universidade de Bar Ilan, no setor de Educação, em Ramat Gan, Israel. Desde 1978, é professor adjunto da Universidade de Vanderbilt, na Faculdade de Educação Peabody, nos Estados Unidos.
Fundou com os professores David Krasilowsky, Ya´acov Rand e Shimon Tuchman o Instituto de Pesquisa Hadassah-Wizo-Canadá de Jerusalém, atualmente Centro Internacional de Melhoria do Potencial de Aprendizagem (The International Center for the Enhancement of Learning Potential - ICELP), instituição que pesquisa a aplicação de seus métodos e programas e atende crianças com diversos problemas de desenvolvimento.
Em 1980, publicou o Programa de Enriquecimento Instrumental - PEI (Feuerstein Instrumental Enrichment - FIE) e seu modelo de psicodiagnóstico, a Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem (Learning Potential Assesment Device - LPAD). Nesses textos, suas teorias educacionais são transformadas em sistemas de intervenção e avaliação.
Nas últimas décadas têm dedicado especial atenção a pessoas com Síndrome de Down. Em 1988, lançou sua última obra, Don’t accept me as I am. Helping “retarded” people to excel, que sintetiza suas pesquisas e, além disso, mostra suas teorias e sistemas de avaliação, intervenção e manutenção aplicadas a essas pessoas.